13 de agosto de 2010

Além da fama, diversão agora é aplicar trote em jornalista

Tirar onda ainda tem graça? Para alguns coleguinhas alçados ao estrelato, sim!

Essa dá pano pra manga. Lembra até os posts (sempre pertinentes) do blog Novo em Folha à sua turma de trainees. Mas, se tiver humor ... Tá valendo. Será? O trote jornalístico foi consumado esta semana pelo comediante Rafinha Bastos, do CQC, e devidamente aplaudido e alardeado pelo colega Rafael (des)Cortez para os seguidores da dupla no Twitter.

A trapalhada que aconteceria muito bem com qualquer pessoa, incluindo aí os mortais jornalistas, já começou na assessoria de imprensa. Com o telefone errado, o repórter ligou para o Rafinha e este, no relâmpago humorístico, é claro, resolveu se passar pelo colega. E, lá se foram 10 minutos de farsa ao telefone. Mas, diante de fatos assim: como confirmar? Como proceder? Aí você me pergunta: repórter não é também produtor? Vai atrás, ué.

Nem pela voz deu para perceber? (Ouça a entrevista)


Eu diria que houve erro de muitos lados. E sem isso, sem uma relação de confiança, fica difícil fazer um bom trabalho. Exemplo, eu quero aquela pessoa, aquele especialista para falar. Mas, a pessoa não fala, não sabe falar, etc. Logo, é preciso ir para a próxima pauta. Ou no caso, localizar um entrevistado mais favorável. Isso tudo em minutos, segundos. Salve se tiver a ajuda dos bancos ... com personagens, fontes e entrevistados atualizados. Tempo também de uma consulta rápida na agenda de contatosl. Do contrário, dá-lhe jogo de cintura ...

Voltando ao Cortez, ok. Talvez ele não precise mais da mídia. Certo? Afinal, ele já é agora uma super celebridade, quase um canal de TV ambulante. Venerado, respeitado e ... Ainda assim: que direito teria ele (no caso, eles) abusar assim da confiança, do trabalho de um profissional? Pior seria, ao meu ver, se não se tratasse de uma divulgação cultural. E sim de algo que afetasse diretamente as relações diplomáticas ou ou dia a dia de milhares de cidadãosl. E aí? A culpa seria de quem? Se você é capaz de tratar algo bobo, simples ... assim. Teria realmente equilíbrio diante de casos mais urgentes?

Então, se o outro sobe no telhado, há ruídos na comunicação. E, mais do que tudo: na ética. Enquanto o repórter está ali para fazer o canal, para repassar as informações ... Ela (a mídia) corre atrás de quem faz sucesso. Ok, já fizeram trotes semelhantes com presidentes, atores ... Mas, a de um colega assumir a identidade do outro. E, pior ... O outro tirar onda para milhares de fãs do profissional que está ali em cima da hora, em busca de pautas? Aí, não! É, no mínimo, desrespeitoso. E, fazer graça com isso é alimentar piada de mau gosto. No mínimo.

Em nota o Diário da Região, jornal de Osasco (SP), onde Cortez apresentaria um show em agosto, soltou uma nota lamentando o fato. Segundo reportagem da Folha, a direção do jornal alega que a brincadeira do comediante foi maldosa. "O humor tem limite, a brincadeira tem limite. E lamentamos o ocorrido", diz ao defender o posicionamento do repórter. Mas, e se fosse algo mais grave? Demissão, na certa. E se fosse um foca? Talvez este erro pudesse acabar prematuramente com sua carreira.

Contra todos, volto a dizer: não gosto do CQC. Não gosto do ser inteligente às custas do outro, de outrem. E, infelizmente, não é a primeira vez que humoristas derrapam, ao tentarem fazer mais uma de suas gracinhas. Se o público ri, não dá para mudar isso. Agora, tenho a certeza de que muitos coleguinhas não aprovam. Até porque se dedicam seriamente à uma profissão já tão precarizada e agora alvo de piadas infames como cita o artigo.

Apesar disso gosto do Rafinha. Dele em A Liga também. Mas, nada justifica uma atitude assim. Nada! Com humoristas, é preciso dizer: todo o cuidado é pouco! #Fail

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