17 de abril de 2014

Crítica: "O Filho de Deus"

Adaptação da série A Bíblia chega aos cinemas com um Jesus bem diferente e um roteiro que transcende a crucificação

Todo feriado de Páscoa é a mesma coisa. Basta ligar a TV para ver um filão de filmes do gênero gospel. Para os cristãos, este é um período de relembrarem o que fizeram com o filho de Deus na Terra. E mais do que tudo, uma oportunidade de redenção diante dos pecados e omissões que cometemos (e continuamos cometendo). Mas, se há um filme que pretende ir além nesta questão é O Filho de Deus, dirigido por Christopher Spencer.
Logo no início da trama, o anjo Gabriel traz a Maria e José o conforto necessário para seguirem adiante na missão. Mas é a visão do menino se transformando em anjo ou o anjo como guerreiro que prometem uma “renovação” no gênero. A forma como o anjo aparece sem ser em um lugar isolado ou após a oração soa tão naturalmente que promete agradar em cheio ao público fiel, principalmente nesta época do ano.
Narrado pelo ator Keith David (Braddock 3 e Força Delta),  o longa épico transcende a crucificação para contar a história bíblica desde os tempos da criação passando pela ressurreição do Cristo até a contínua evangelização dos apóstolos pelos quatro cantos do mundo. E mesmo anos depois, anjos, milagres e batismos, em nome do Salvador, permanecem acontecendo.
Sucesso de público nos EUA, o filme é uma adaptação da série A Bíblia protagonizada pelo português Diogo Morgado e elenco internacional. Bastante conhecido nas redes sociais como o Hot Jesus dos tempos atuais, o filme de Morgado traz cenas levadas ao ar e outras excluídas da minissérie com 10h de duração.
Em 2013, A Bíblia foi um dos programas mais assistidos da TV a cabo norte-americana arrebatando 15 milhões de espectadores por cada episódio. Tudo isso garantiu aos criadores e também produtores do filme, Roma Downey (intérprete de Maria adulta na série e no longa) e Mark Burnett, nada menos do que três indicações ao Emmy. Por aqui, a série foi exibida na Record e o #hotJesus apareceu em 5 episódios.

Com cenas dramáticas e muita das vezes em câmera lenta, O Filho de Deus é narrado de forma didática em quase 3h de projeção, o que contribui para o tom documental da trama. O momento da crucificação, por exemplo, é mostrado em quase 22 minutos na tela, revelando toda a carga dramática da passagem com um Jesus transfigurado pela dor. Ver Jesus se rastejando pela cruz é algo sem precedentes em filmes anteriores.
Os tempos bárbaros e o contexto histórico da época são outro ponto alto do longa. Sem falar na representação teatral de Satanás no deserto que respeita mais o público ao mostrar um ancião de capa preta (algo como a morte em O Sétimo Selo) e não um ser animalesco. Vê-se no filme apenas a serpente rastejando como mera alegoria. É bastante emblemática também a figura do diabo em meio a multidão nos momentos finais da crucificação.

Outro ponto que chama a atenção no drama, é o momento em que Jesus revê no calvário sua passagem pela Terra. O filme de nossas vidas, como costumamos dizer. Em O Filho de Deus, as imagens do planeta Terra e o papel de Salvador são devolvidas ao filho de Deus e não a uma dezena de heróis criados por nós mesmos. Sem dúvida, um bom recomeço para as novas e velhas gerações. Sem esquecer dos efeitos e do cuidado cenográfico.
O Filho de Deus (Son of God). Roteiro e direção: Christopher Spencer. 2014, EUA. Elenco: Diogo Morgado, Darwin Shaw, Roma Downey.

Por Simone Magalhães para o site Uber7. Publicado em 17/04/2014.
(http://uber7.com.br/criticao-filho-de-deus/)

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