Com filmes como "Malcom X" e o clássico "Faça a Coisa
Certa" além do clipe "They Don't Care About Us" de Michael
Jackson no currículo, Spike Lee é considerado pelo público e pela crítica um
cineasta polêmico. Ativista dos direitos sociais, dentro e fora das telas, o
diretor que é também produtor, roteirista e ator em muitos dos seus filmes costuma
abordar o preconceito racial em suas películas. Com um filme por ano praticamente, o
cineasta desenvolve atualmente projetos paralelos como o documentário
"Go Brazil Go", com entrevistas e imagens colhidas este ano no Brasil
e um telefilme para a HBO sobre o espetáculo de Mike Tyson, dirigido por ele na
Broadway.
Entre um e outro projeto, o diretor conseguiu recentemente o financiamento
coletivo de um dos seus filmes através do crowdfunding. Entre os
"prêmios" oferecidos para cada valor de contribuição na
"vaquinha virtual", os internautas recebiam de um tuíte de
agradecimento até um dia nos sets de filmagem da nova produção. Entre os amigos
que mais contribuíram para a meta de R$ 2,8 milhões está o diretor Steven
Soderbergh, de “Erin Brockovich”.
Seu mais recente trabalho é o remake da produção sul-coreana, "Old
Boy", que conta a história de um executivo que é sequestrado e mantido
refém por 20 anos em um abrigo longe do contato humano. Libertado, ele resolve
achar sua filha e aqueles que o prenderam. O longa, que segue sem data por aqui,
deve estrear em novembro nos EUA.
Da música para as ruas, a violência da América é outro ponto alto de sua
filmografia marcada por críticas e elementos da cultura pop norte-americana
como o rap, o basquete e as gírias. Crescido no Brooklyn, seus filmes passam
longe da estética hollywoodiana. Afinal, nada ali é perfeito, as pessoas são
mais próximas do real e é exatamente desse conflito, seja ele de minorias ou
extratos sociais, que surge a sua originalidade e acima de tudo, liberdade para
criar.
Uma frase dele que gosto é: "Eu penso que é muito importante que os
filmes façam as pessoas olhar para o que elas esqueceram". Por um
cinema mais autoral e independente, o diretor busca não apenas contar uma
história mas também uma outra versão dos fatos, bem distante dos grandes
estúdios e até mesmo do grande público. Eis o olhar de um verdadeiro
documentarista!
Por Simone Magalhães, em 30/08/2013
Por Simone Magalhães, em 30/08/2013

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