30 de agosto de 2013

Spike Lee - Por um cinema mais autoral e independente

Com filmes como "Malcom X" e o clássico "Faça a Coisa Certa" além do clipe "They Don't Care About Us" de Michael Jackson no currículo, Spike Lee é considerado pelo público e pela crítica um cineasta polêmico. Ativista dos direitos sociais, dentro e fora das telas, o diretor que é também produtor, roteirista e ator em muitos dos seus filmes costuma abordar o preconceito racial em suas películas. Com um filme por ano praticamente, o cineasta desenvolve atualmente projetos paralelos como o documentário "Go Brazil Go", com entrevistas e imagens colhidas este ano no Brasil e um telefilme para a HBO sobre o espetáculo de Mike Tyson, dirigido por ele na Broadway.

Entre um e outro projeto, o diretor conseguiu recentemente o financiamento coletivo de um dos seus filmes através do crowdfunding. Entre os "prêmios" oferecidos para cada valor de contribuição na "vaquinha virtual", os internautas recebiam de um tuíte de agradecimento até um dia nos sets de filmagem da nova produção. Entre os amigos que mais contribuíram para a meta de R$ 2,8 milhões está o diretor Steven Soderbergh, de “Erin Brockovich”.       

Seu mais recente trabalho é o remake da produção sul-coreana, "Old Boy", que conta a história de um executivo que é sequestrado e mantido refém por 20 anos em um abrigo longe do contato humano. Libertado, ele resolve achar sua filha e aqueles que o prenderam. O longa, que segue sem data por aqui, deve estrear em novembro nos EUA. 

Da música para as ruas, a violência da América é outro ponto alto de sua filmografia marcada por críticas e elementos da cultura pop norte-americana como o rap, o basquete e as gírias. Crescido no Brooklyn, seus filmes passam longe da estética hollywoodiana. Afinal, nada ali é perfeito, as pessoas são mais próximas do real e é exatamente desse conflito, seja ele de minorias ou extratos sociais, que surge a sua originalidade e acima de tudo, liberdade para criar.

Uma frase dele que gosto é: "Eu penso que é muito importante que os filmes façam as pessoas olhar para o que elas esqueceram". Por um cinema mais autoral e independente, o diretor busca não apenas contar uma história mas também uma outra versão dos fatos, bem distante dos grandes estúdios e até mesmo do grande público. Eis o olhar de um verdadeiro documentarista!

Por Simone Magalhães, em 30/08/2013

0 comentários:

Postar um comentário