7 de setembro de 2013

Sobre filmes que amei e odiei

Vale sempre o exercício! E claro, sobram títulos. 

Sem discursos prontos, o Brasil de "O Pagador de Promessas"

Um dos filmes que mais gosto, sem dúvida, é "O Pagador de Promessas", de Anselmo Duarte. Vi o primeiro nacional indicado ao Oscar, e até hoje o único brasileiro a ganhar a Palma de Ouro em Cannes, por curiosidade e acabei me surpreendendo com a qualidade da produção. Principalmente no que se refere ao argumento da trama, pois o filme mesmo em p&b permanece contemporâneo e leva ao espectador um roteiro convincente, divertido e acima de tudo inteligente. Mesmo sendo um filme de 62, ele passa longe de ser caipira ou mesmo simplista, ao combinar com maestria temas tão polêmicos como religião, raça/cor e a questão do preconceito. Na película, o que vemos é a cara do Brasil, com seus nuances políticos, humanos e religiosos reunidos em um universo amplamente heterogêneo. A jornada de Zé do Burro se parece com a de tantos outros devotos, trabalhadores ou Jeca Tatus (de Mazzaropi). Exatamente por isso, o filme serve mais como crítica social do que propriamente ao velho discurso de esta ou aquela religião, esta ou aquela classe social. Aqui tudo se mistura, tudo se combina, não há favoritos. E no final do filme, vemos exatamente esta redenção de que nossos problemas são os mesmos, nosso Deus é o mesmo. Não há escolhidos, apenas escolhas! É, portanto, um filme soberano e sensível. O preto e branco dão também um tom mais dramático à trama e, por vezes, um olhar quase documental, a exemplo de "A Montanha dos Sete Abutres", onde o circo se forma em torno do personagem principal. Jeca ou Zé representam o Brasil mais genuíno com múltiplas vozes e múltiplas histórias. Cenas e diálogos inesquecíveis!

Vale conferir:



Quanto vale o sonho americano? O filme que mais odiei ...  

Marombeiros Bad Boys aterrorizaram Miami

Com 2h10 de projeção, "Sem Dor, Sem Ganho" é baseado em fatos reais ocorridos entre os anos de 1994 e 1995 na cidade de Miami. Dirigido e produzido pelo americano Michael Bay, responsável pela saga "Transformers", o filme é um misto de drama, comédia e ação. Compõem o elenco os atores Dwayne Johnson e Mark Wahlberg, que vivem os criminosos halterofilistas, e Ed Harris, que interpreta o detetive aposentado. 

Na história, um trio de musculosos "chefiado" por Daniel Lugo executa um sequestro mirabolante para subir na vida. Mas o que parecia ser o plano perfeito acaba levando-os a uma série de eventos (e crimes) inesperados. Na película, o que não faltam são palavrões e violência desmedida. E quando a história toda chega ao absurdo, o diretor interrompe a ação com "este é um filme real". Mas será que vale tudo pelo sonho americano? 

Narrado em grande parte das cenas pelo personagem de Mark Wahlberg, o discurso de Danny se mistura com a história dos EUA, onde todos são chamados a experimentar o merecido sonho americano. E como ele diz logo no início da fita: "super homens merecem mais. Tem que ter grana para combinar com este corpo". E para o ambicioso personal trainer não realizar isso é ser antipatriota. Portanto, bem-vindos a terra das oportunidades!

Mistura de "Fargo" e "Pulp Fiction", o longa baseado em recortes de jornais custou apenas U$$ 25 milhões. Ainda assim, apela para o estilo blockbuster do diretor com câmeras tremidas e explosões de grande tamanho. Elementos que se encaixam perfeitamente no cenário paradisíaco de Miami, com seus carros, casarões, lindas mulheres e drogas liberadas. Mas é exatamente este ritmo frenético, que mais remete a uma viagem psicodélica, que acaba cansando o expectador em meio a piadas sem graça e momentos bizarros. Ao final, se percebe que muito deixou de ser contado e que ao contrário de toda e qualquer crítica, os personagens foram mais caricatos. 

Por Simone Magalhães, em 07/09/2013

1 comentários:

Silvia Freitas disse...

Acredita que eu não vi nenhum dos dois? Rsrs
Mas a crítica é de fato algo bem complicado rss
beijos !

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