8 de novembro de 2013

Crítica: "Uma dose violenta de qualquer coisa"


Do cerrado para o país - Mais uma história sobre relações

O segundo longa do diretor Gustavo Galvão é um filme de estrada, que conta a história de dois desconhecidos que saem de Brasília em busca de aventuras, liberdade e novas possibilidades. Com roteiro escrito a três mãos, incluindo a do jornalista brasiliense Bernardo Scartezini, “Uma dose violenta de qualquer coisa” apresenta encenações viscerais que transbordam todo o medo, conflito, desejo e até uma certa paranoia dos personagens principais.

Entre encontros e desencontros, os personagens e a cidade se esbarram, se repelem ou se atraem. É como uma volta para casa ou quando se leva um pouco do habitat. Com uma narrativa circular, que mistura muita das vezes realidade com loucura, a trama deixa claro o vazio existencial e a falta de perspectiva dos protagonistas que mesmo distantes de Brasília não conseguem se libertar e experimentar uma nova vida. Mas o que eles querem? Para onde vão?

Aqui nada é o que realmente parece! Talvez por isso, a estrada pareça o palco perfeito. Sem barreiras geográficas ou rotina, Pedro e Lucas anseiam por novos recomeços, pela vida sentida e não somente vivida. Exibido durante o 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o título levou o prêmio de Melhor Trilha Sonora no troféu Câmara Legislativa. Elemento importantíssimo na narrativa, já que a trilha pontuada soa quase como um terceiro personagem. 

O tom sujo do filme também é outro ponto alto da narrativa que expõe na tela, os limites físicos e psicológicos da dupla. Sem eixo, sem chão, os conflitos veem à tona revelando muita das vezes "o pior" desses dois fugitivos. Com duração aproximada de 96 minutos, a jornada de Pedro e Lucas é uma ficção que poderia muito bem ser mais uma história qualquer. Repleta de excessos (a dose violenta de qualquer coisa sugerida no título), mistério e uma conexão extraordinária, apesar da jornada individual dos atores. 

Bons momentos que levarão certamente ao riso com a inserção de elementos tragicômicos na trama, como o Jesus traficante ou a brasiliense com que Pedro se relaciona em Ouro Preto/MG. Uma crítica, sem dúvida, ao modus-operandis de Brasília e as relações urbanas tendo aqui a mesa de bar e a estrada como divãs. Haverá saída? Vale conferir! 

FICHA TÉCNICA  
UMA DOSE VIOLENTA DE QUALQUER COISA 
Ficção| 35mm| 96min | 14 anos | 2013  
Direção: Gustavo Galvão. Com Vinícius Ferreira, Marat Descartes, 
Leonardo Medeiros, Catarina Accioly e Maria Manoella. 
Por Simone Magalhães para a 1ª Edição da Revista Intermedia Caliandra, publicada em 10/2013

0 comentários:

Postar um comentário