Magra, alta, cabelos longos e lisos, sapato alto, unhas bem-feitas - esse nunca foi o meu tipo. Talvez por isso, minhas tentativas de relacionamento nunca tenham dado certo. Sempre perguntava: "por que não me adapto? Eu também não sou mulher?". Assim que, passei parte de minha vida tentando agradá-los (homens), rindo das piadas sem graça ou sendo apenas mais uma "boneca". Mas, no fundo, tudo aquilo me gerava uma profunda angústia pois eu queria falar de idéias, sentimentos, sensações ... Ser eu mesma, enfim. Desde cedo, a presença de minha mãe sempre me foi muito marcante em todos os aspectos. Eu queria ser como ela: uma super-mulher. Mas o tempo me fez crer que jamais conseguiria ser como ela. Já na faculdade encontrei outras grandes mulheres, muitas bem distantes dos velhos padrões sociais. Mas que mulheres eram essas? Engajadas, sensíveis, com personalidade forte, trabalhadoras, inteligentes e independentes. Algumas se tornaram minhas amigas, embora, não as encontre mais, no dia-a-dia.
De mulher-objeto a ....

Mas foi mesmo durante a 1° Conferência Latino-Americana de Mulheres Jornalistas, em 2001, que fui definitivamente fisgada por reflexões como esta. Em palestras como da radialista Mara Régia; a atual ministra Marina Silva; além de exemplos de mulheres que são e sempre foram muito mais que seus namorados ou maridos, muito mais que seus "belos" corpos e truques de beleza, incluindo nessas ainda, minhas primeiras "musas" jornalistas na TV e no impresso que tanto me inspiraram na escolha da carreira.
Hoje meu interesse maior no jornalismo, até mesmo como especialização são as áreas da Política e do Direito. Pois acredito piamente que a política aliada a informação constitui-se em um dos mecanismos essenciais para "mudarmos" a realidade gerando uma maior consciência e mobilização social, através dos movimentos sociais, das lideranças comunitárias e, por fim, da definição de políticas públicas para a cidadania, democracia, mulheres na política, direitos e deveres da mulher, e demais fundamentos espalhados como pauta alternativa (um dia, prioritária) na mídia, pesquisa e assessoria política.

Agente da ação.
Dentro do Ano Internacional da Mulher Latino-Americana e Caribenha e, ao contrário do que disse o homem mais importante do Brasil. Meu desejo é de ser "desaforada", sim! Pois aspiro exercer minha liberdade, meus direitos e deveres (que sequer conheço todos), avançar numa maior participação social, ser e ser-me útil por meio do trabalho (seja ele: em casa, na rua, nas comunidades ou mesmo na àrea que desejo atuar - o jornalismo, principalmente, o comunitário e o da chamada imprensa alternativa). Só assim, com toda certeza, seguirei apaixonadamente à uma causa e, conhecerei "de perto" à outras mulheres, nas quais, poderei admirar e sentir orgulho de ser mulher. Mulheres de "peito", como Marta Suplicy; Heloísa Helena; Marília Gabriela; minha mãe - que revelaram a público ou anonimamente, todos os dias -, uma mulher feminina, sensível, detalhista, profissional, em cada aparente fraqueza ou qualidade. O que precisamos, Sr. Lula, são de mulheres assim: guerreiras e ativistas!
Seja em que tomada forem. Seja em debates sobre gênero, seja no campo da pesquisa ou mesmo na difusão de pautas sérias sobre a mulher, principalmente na grande mídia, seria inenarrável poder conhecer e reconhecer mais os nossos tantos Brasis, as nossas Brasílias, e, mais ainda, o enfoque do sempre discriminado "sexo frágil". O que mais posso oferecer além do meu interesse, sensibilidade, conhecimento acadêmico e desejo enorme de aprender cada vez mais? É assim que me antevejo, daqui a alguns anos, como voluntária-profissional-cidadã. Num futuro, quem sabe, integrante de oficinas comunitárias que respaldem as múltiplas vozes e os múltiplos olhares sobre temas como Mulher e Sociedade e seus mais diversos correlatos.
Meninas: à luta!
Simone Magalhaes (2005).
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