como está apenas começando"
(Sérgio Dávila, repórter especial da Folha de S. Paulo, em NY)
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:: Diário de Bagdá :: o único repórter brasileiro na cobertura da guerra
Com 15 anos de profissão, ele começou no jornalismo na revista Exame, em 1988, passando pela revista Playboy, onde foi repórter especial, e na Veja São Paulo, onde editou o roteiro. Atualmente é correspondente da Folha de S. Paulo e do portal UOL News, na Califórnia. Tem uma coluna semanal na revista da Folha "Era uma vez na América" e o programa semana "Pop, Pop, Pop" , ancorado pela Lillian Wite Fibe, todas às sextas no UOL. Entre 2000 e 2003 foi correspondente do jornal em Nova Iorque e de 1006 a 2000, editor do caderno Ilustrada. Antes de ir para Bagdá, Dávila acabava de voltar de Nova Iorque, cidade em que por três anos foi correspondente do jornal.
Pela cobertura no Iraque recebeu o prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa, da CNBB, que dedicou ao parceiro e repórter fotográfico, Juca Varella. Sendo ainda homenageado com o Prêmio Esso de Reportagem - por terem sido os únicos jornalistas brasileiros a cobrirem a guerra no Iraque, diretamente da cidade de Bagdá, em março/abril de 2003 na série de reportagem intitulada "Estados Unidos atacam o Iraque" veiculada na FSP - e o Prêmio Folha.
Entre as diversas revelações feitas com exclusividade no seu livro "Diário de Bagdá" destaca-se a farsa arquitetada pelo governo iraquiano ao simular à imprensa mundial um falso ferido de guerra. A entrevista a seguir foi realizada por e-mail, após apresentação do livro para a disciplina de 'Técnica, Entrevista, Apuração e Reportagem', no 4° semestre.
Com 15 anos de profissão, ele começou no jornalismo na revista Exame, em 1988, passando pela revista Playboy, onde foi repórter especial, e na Veja São Paulo, onde editou o roteiro. Atualmente é correspondente da Folha de S. Paulo e do portal UOL News, na Califórnia. Tem uma coluna semanal na revista da Folha "Era uma vez na América" e o programa semana "Pop, Pop, Pop" , ancorado pela Lillian Wite Fibe, todas às sextas no UOL. Entre 2000 e 2003 foi correspondente do jornal em Nova Iorque e de 1006 a 2000, editor do caderno Ilustrada. Antes de ir para Bagdá, Dávila acabava de voltar de Nova Iorque, cidade em que por três anos foi correspondente do jornal.
Pela cobertura no Iraque recebeu o prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa, da CNBB, que dedicou ao parceiro e repórter fotográfico, Juca Varella. Sendo ainda homenageado com o Prêmio Esso de Reportagem - por terem sido os únicos jornalistas brasileiros a cobrirem a guerra no Iraque, diretamente da cidade de Bagdá, em março/abril de 2003 na série de reportagem intitulada "Estados Unidos atacam o Iraque" veiculada na FSP - e o Prêmio Folha.
Entre as diversas revelações feitas com exclusividade no seu livro "Diário de Bagdá" destaca-se a farsa arquitetada pelo governo iraquiano ao simular à imprensa mundial um falso ferido de guerra. A entrevista a seguir foi realizada por e-mail, após apresentação do livro para a disciplina de 'Técnica, Entrevista, Apuração e Reportagem', no 4° semestre.
Simone Magalhães - Como foi escrever o livro após a série publicada na Folha de S. Paulo? Que mensagem queria deixar?
Sérgio Dávila - O jornal é um meio por definição volátil, minha idéia era dar um meio mais perene a esta coleção de textos de um período importante da história.
Simone - Como é estar numa guerra?
Sérgio - A pior experiência pessoal e a melhor experiência jornalística da minha vida.
Simone - Durante a guerra não sentiu a dualidade da profissão ao transformar em mercadoria o sofrimento alheio ali tão perto de vocês jornalistas? Como separa isso?
Sérgio - Não sentia que estava transformando nada em mercadoria. O sentimento era outro, de estar informando o mundo com os olhos brasileiros sobre o que eu via acontecer ali, na zona de guerra. Mas, provavelmente as duas leituras são possíveis, a da mercadoria e a da obrigação cívica.
Simone - Hoje você voltaria a Bagdá?
Sérgio - Sim, se o meu jornal deixasse. Tentei cinco vezes desde então, eles sempre barraram, por motivos de segurança.
Simone - É fácil ser correspondente internacional? Que outros jornalistas admira?
Sérgio - A mais díficil entre todas. Vários, mas de imediato cito Paulo Francis, Elio Gaspari, José Hamilton Ribeiro, Luis Fernando Veríssimo, Otávio Frias Filho, Carlos Maranhão, Tarso de Castro, Flávio Rangel, entre outros.
Simone - Como era a rotina na cobertura da guerra? Como é ser correspondente no front e há, por exemplo, algum treinamento para isso?
Sérgio - Não havia rotina, pois a certa altura acabou a comida, a àgua, a eletricidade, tudo. Ou seja, não havia um dia em que acordávamos (afinal, não tinhamos dormido), íamos tomar café da manhã (porque, às vezes, tinhamos dormido no carro). Quanto ao treinamento, fizemos, sim, mas a realidade é muito diferente.
Simone - Chegou a perder algum amigo ou mesmo jornalista no conflito?
Sérgio - Amigo, não, mas vários coelgas. Nos 35 dias em que estive cobrindo a guerra, 16 jornalistas morreram. Um deles era um cinegrafista da Reuters que foi atingido por um Obuz norte-americano cinco andares acima do nosso quarto, na mesma varanda.
Simone - A violência nos centros urbanos brasileiros por vezes se assemelha em algo a Guerra do Iraque?
Sérgio - Não, é exagero comparar as duas situações. No Brasil temos uma semi-guerra civil motivada por injustiça econômica. No Iraque era a invasão de um país pelo maior Império militar do mundo.
Simone - A Guerra do Iraque realmente acabou? Ou seja, mesmo após Bush declarar o fim, ainda em 2003, há ataques em Falluja e a população iraquiana continuar a sofrer com a fome, a falta de luz e a elevação dos barris de petróleo.
Sérgio - Não, não só não acabou como está aenas começando.
Simone - Como avaliar a situação agora a partir da reeleição de Bush? O culpado era mesmo Saddam pelo terrorismo mundial?
Sérgio - Não, há um culpado pelo terrorismo internacional. Há uma grande batalha entre duas forças que serão cada vez mais antagônicas, o Império norte-americano e o islamismo radical.
Simone - Quais foram as contribuições dadas por Carlos Fino, Bóris Casoy, Jô Soares, Otávio Frias Filho, Luiz Carlos Azenha, Kennedy Alencar, dentre outros já citados por você?
Sérgio - Carlos Fino foi um dos únicos repórteres em Bagdá que nos ajudou em alguma coisa. O resto era um bando de individualistas, cada um por sí. Bóris Casoy me conviou a fazer boletins diários em seu jornal durante a guerra. Jô Soares teve a coragem de nos entrevistar, já no meio da cobertura, uma posição corajosa dentro da Globo, pois sua própria empresa não conseguiu colocar jornalistas no Iraque e fazia uma cobertura tacanha desde o Kuwait. Otávio Frias Filho, por ser o principal responsável por minha ida a Bagdá, pois dele partiu o primeiro convite e toda a infra-estrutura possível. Luiz Carlos Azenha havia acabado de sair de Bagdá, dias antes de começar a guerra, então pôde nos contar o que mais ou menos nos esperava (embora ele não tenha pago as bombas nem nada disso). Kennedy Alencar me deu dicas valiosas da cobertura que fez da guerra do Afeganistão no ano anterior.
Simone Magalhães (28/11/2004)
Sérgio Dávila - O jornal é um meio por definição volátil, minha idéia era dar um meio mais perene a esta coleção de textos de um período importante da história.
Simone - Como é estar numa guerra?
Sérgio - A pior experiência pessoal e a melhor experiência jornalística da minha vida.
Simone - Durante a guerra não sentiu a dualidade da profissão ao transformar em mercadoria o sofrimento alheio ali tão perto de vocês jornalistas? Como separa isso?
Sérgio - Não sentia que estava transformando nada em mercadoria. O sentimento era outro, de estar informando o mundo com os olhos brasileiros sobre o que eu via acontecer ali, na zona de guerra. Mas, provavelmente as duas leituras são possíveis, a da mercadoria e a da obrigação cívica.
Simone - Hoje você voltaria a Bagdá?
Sérgio - Sim, se o meu jornal deixasse. Tentei cinco vezes desde então, eles sempre barraram, por motivos de segurança.
Simone - É fácil ser correspondente internacional? Que outros jornalistas admira?
Sérgio - A mais díficil entre todas. Vários, mas de imediato cito Paulo Francis, Elio Gaspari, José Hamilton Ribeiro, Luis Fernando Veríssimo, Otávio Frias Filho, Carlos Maranhão, Tarso de Castro, Flávio Rangel, entre outros.
Simone - Como era a rotina na cobertura da guerra? Como é ser correspondente no front e há, por exemplo, algum treinamento para isso?
Sérgio - Não havia rotina, pois a certa altura acabou a comida, a àgua, a eletricidade, tudo. Ou seja, não havia um dia em que acordávamos (afinal, não tinhamos dormido), íamos tomar café da manhã (porque, às vezes, tinhamos dormido no carro). Quanto ao treinamento, fizemos, sim, mas a realidade é muito diferente.
Simone - Chegou a perder algum amigo ou mesmo jornalista no conflito?
Sérgio - Amigo, não, mas vários coelgas. Nos 35 dias em que estive cobrindo a guerra, 16 jornalistas morreram. Um deles era um cinegrafista da Reuters que foi atingido por um Obuz norte-americano cinco andares acima do nosso quarto, na mesma varanda.
Simone - A violência nos centros urbanos brasileiros por vezes se assemelha em algo a Guerra do Iraque?
Sérgio - Não, é exagero comparar as duas situações. No Brasil temos uma semi-guerra civil motivada por injustiça econômica. No Iraque era a invasão de um país pelo maior Império militar do mundo.
Simone - A Guerra do Iraque realmente acabou? Ou seja, mesmo após Bush declarar o fim, ainda em 2003, há ataques em Falluja e a população iraquiana continuar a sofrer com a fome, a falta de luz e a elevação dos barris de petróleo.
Sérgio - Não, não só não acabou como está aenas começando.
Simone - Como avaliar a situação agora a partir da reeleição de Bush? O culpado era mesmo Saddam pelo terrorismo mundial?
Sérgio - Não, há um culpado pelo terrorismo internacional. Há uma grande batalha entre duas forças que serão cada vez mais antagônicas, o Império norte-americano e o islamismo radical.
Simone - Quais foram as contribuições dadas por Carlos Fino, Bóris Casoy, Jô Soares, Otávio Frias Filho, Luiz Carlos Azenha, Kennedy Alencar, dentre outros já citados por você?
Sérgio - Carlos Fino foi um dos únicos repórteres em Bagdá que nos ajudou em alguma coisa. O resto era um bando de individualistas, cada um por sí. Bóris Casoy me conviou a fazer boletins diários em seu jornal durante a guerra. Jô Soares teve a coragem de nos entrevistar, já no meio da cobertura, uma posição corajosa dentro da Globo, pois sua própria empresa não conseguiu colocar jornalistas no Iraque e fazia uma cobertura tacanha desde o Kuwait. Otávio Frias Filho, por ser o principal responsável por minha ida a Bagdá, pois dele partiu o primeiro convite e toda a infra-estrutura possível. Luiz Carlos Azenha havia acabado de sair de Bagdá, dias antes de começar a guerra, então pôde nos contar o que mais ou menos nos esperava (embora ele não tenha pago as bombas nem nada disso). Kennedy Alencar me deu dicas valiosas da cobertura que fez da guerra do Afeganistão no ano anterior.
Simone Magalhães (28/11/2004)

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