A segunda capa (Embora a primeira tenha me sido ofertada na véspera da saída para a gráfica. E, 1 mês produzindo, já era HORA. Certo?)
Matéria de capa na 2ª edição do Esquina, emplaquei como editora de 6 colegas repórteres para uma reportagem "in loco" de a quantas anda o racismo em Brasília. O foco traçado foram algumas lojas de elite, nos principais shoppings.
E, o que pareceria uma pauta pequena, boba, foi se tornando (ao menos, para mim), uma tarefa deliciosamente desafiadora. Mesmo, como editora, participei ativamente da pauta, cobrando prazos, editando texto, tirando fotos, acompanhando mesmo e inclusive, indo para a rua complementar uma ou outra coisa, como foi o caso da entrevista abaixo.
Portanto, apesar de pequena a destaco neste blog, exatamente pelo carinho e cuidado dedicado à pauta, que por fim, acabou rendendo páginas e páginas, um belo ensaio do professor Beto Rocha (fotógrafo) e virou matéria de capa. Yeah! Sem dúvida, o mais bacana foi ver os colegas chegando a essa conclusão. Sim, pois juro que não fiz qualquer lobby, loooooonge disso.
Ah, se eu achar as fotos na minha bagunça, tento publicar aqui. Pois valem, e como valem!!! E, a charge acima foi posta logo no verso da 1ª página, ali ao lado do editorial e abaixo da minha abertura. Na sequência vieram os depoimentos de cada dupla de repórteres.
(P.S: Ainda vou ver se consigo escanear a tal capa)
Agora a bendita:
(conseguida no 2° tempo do ... Tudo isso porque A PROFESSORA, a qual já entrevistei por tantas outras vezes, desmarcou em cima)
ENTREVISTA // Ana Luiza Flauzina
"O DF é uma das localidades mais racistas do país"
Mestra em Direito/Criminologia pela Universidade de Brasília (UnB), Ana Luiza Flauzina é uma das jovens militantes do movimento negro espalhadas pela capital federal. Há dois anos no projeto EnegreSer - coletivo negro do DF e Entorno, ela defendeu em sua dissertação o tema Violência e Juventude Negra. Fundado em 2001, o coletivo funciona na UnB, subsolo do ICC Norte, sala 665. Em entrevista, ela fala sobre o preconceito racial em Brasília e a importância das políticas inclusivas.
Simone Magalhães - Brasília é racista?
Ana Luiza Flauzina - O Distrito Federal e uma das localidades mais racistas do Brasil, ao lado de Pernambuco e Paraíba. De acordo com o último Mapa da Violência, divulgado pela Unesco. Aqui, a chance de um jovem negro ser assassinado é cinco vezes maior do que a de um jovem branco. Temos ainda uma geografia que tenta resguardar Brasília como um grande condomínio fechado.
Simone - As ações afirmativas no combate ao racismo poderiam ser pensadas, então, como uma forma de democratização e justiça social?
Ana - É preciso ter claro que essas políticas são apenas um mecanismo capaz de minimizar os efeitos da discriminação racial, que tem vitimizado a população negra ao longo do processo e em todos os setores da vida social. As cotas, por exemplo, devem ser tomadas como um passo tímido, mas importante pelo debate que suscita sobre o racismo no país. Mas, tais medidas ainda são insuficientes para uma questão tão complexa.
(Simone Magalhães, publicado em 10/05/2006, no Jornal-Laboratório ESQUINA)
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