29 de junho de 2009

O ADEUS à Renato Russo

Aos 17, mesmo não sendo legionária de carteirinha, ousei um ADEUS, em versos, ao poeta


Com a morte de Michael Jackson, no último dia 25, e toda a repercussão da mídia em cima (hoje, possivelmente, infinitamente maior do que há alguns anos. Também graças aos blogueiros, mídias sociais, novas emissoras e essa de 'todo mundo ser meio' que jornalista). Me veio à memória algo bem parecido, claro que em dimensão muito menor, digo, reduto à terras brasileiras: o ADEUS ao poeta Renato Russo.

Neste dia, idos de 96, eu estava em sala (cursava o 3° ano do 2° grau) quando uma colega, à época com walkman, soltava a notícia ouvida há pouco na Transamérica. Prestes a acabar o turno (sim, era quase meio-dia), começamos a comentar (ou melhor, trocar bilhetes, pela sala) e realmente ali me foi um momento marcante, único até. Todos nos solidarizamos, independente de ser amigo ou não, escrevíamos as letras, contávamos casos e etc. Acho que, particularmente, para mim, e também pelo Renato ser de Brasília (carioca, mas morava aqui. A Legião, antes o Aborto Elétrico, tinham sido concebidos na capital). Aquela sexta, 11 de outubro, foi realmente impactante. Claro que acompanhei quase tudo o que a mídia soltava, corri para comprar um de seus últimos álbuns, A Tempestade. Lembro que estava tudo uma pechincha nas Lojas Americanas (e, ao contrário, de hoje, eu ainda tinha alguma grana. Só não me pergunte como!).

A partir daí, talvez, e pela minha vertente poética, rabisquei no papel o meu ADEUS ao Renato. Poema sério, simples, mas direto que guardo até hoje. Se for pensar que aos 17, eu nem era tão fã assim, não pelo menos de ter toda a discografia, pôsteres, etc. Por isso, acredito que a 'inspiração' veio mesmo com tudo. Aos 15, eu havia deixado de lado os amores. Fase russa: meus versos viam crise em tudo e buscavam, mais do que nunca, entender os porquês.


De alma lavada, de cara limpa, então, expiro os versos abaixo:

Caro amigo, caro irmão
(Planalto Central)

Palavras se calaram
versos não se completaram.
O mundo todo cantou um hino
que há muito não cantavam.
Às vezes nascer significa morrer
e viver significa ser.

Suas palavras deram vida aos nossos corações
e seus seguidores se multiplicaram.
Falava a língua dos anjos
e era a estrela de grandeza maior.

Talvez pudesse ser como nós,
mas Deus quis torná-lo uma obra-prima.
Deixem-no partir ...
mas saiba que continuaremos aqui,
saudando a vida como saudou
através de suas canções (o céu, a terra, a água e o ar).
Levem flores ao seu túmulo
e guardem a mensagem que deixou.
Para onde for meu caro amigo,
serás ainda nosso caro irmão.

Essa noite senti a solidão sobressaltar-me
preferindo as canções que nos falam de ilusão.
Mal podendo supor que no decorrer das horas
outra voz se calaria.
Essa voz tão intensa, que por diversas vezes,
falou e gritou: às estações, o tempo perdido e a pais & filhos (no planalto central).

Sexta-feira santa, sexta-feira da paixão, sexta-feira 13 ...
o que nos deixou foram saudades.
Ah, quão grande é a dor em meu peito ...
se ao menos as lágrimas pudessem aliviá-la?
Meu caro amigo, nosso caro irmão,
o Planalto que tanto narrastes
se curva à sua notável expressão.

Agradecemos por ter nos embalado em seus braços
fazendo de seus versos uma canção de ninar.
Obrigada, Renato Manfredini Júnior.
Sabemos que não foi tempo perdido (os bons morrem cedo).

Simone Magalhães (11/10/1996)

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