Prestes a ser nomeado, no próximo dia 29, Estadista Global do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíca. Luiz Inácio Lula da Silva ostenta ainda títulos, como Doutor Honoris Causa por diversas universidades no Brasil e fora. E até mesmo o de Amigo do Livro. Carismático, bem articulado e macaco velho do jogo político (Sim! Desde a época do sindicalismo), Lula se revelava desde jovem um grande líder, figura popular e agora um personagem perfeitinho nas telonas.
Com orçamento estimado entre R$ 12 e 15 milhões, um dos mais caros do cinema brasileiro, os primeiros 30 anos de Lula abrem filão para, no mínimo, outros 4 presidenciáveis. Agora as produtoras apostam em Tancredo (Ok!), Jânio Quadros (Ok!), Sarney e Collor. No papel de vítima, de menino ... Talvez o povo precise mesmo endeusar, ou melhor, voltar às origens não para entender a história atual, mas para perdoar as velhas novas falhas que vemos tanto por aí. Mas, por que não recorrer a figuras como o próprio Frei Betto, irmão de Lula; Betinho e até Leonardo Boff? Ayrton Senna mesmo, que foi um herói dos esportes para a nação, sequer é lembrado, falado nos dias de hoje.
Em acordo com o artigo "Lula, Higienizado", publicado no último dia 21 pela revista "The Economist", a versão adaptada do livro homônimo, de Denise Paraná, é adocicada. No filme de Fábio Barreto ("Pixote") vemos um Lula bom demais para ser verdade. Até mesmo a primeira-dama ganha um papel menos ilustrativo do que o real. Interpretada pela ex-paquita, Juliana Baroni, ela personifica uma mulher forte em paralelo à beleza destacada no filme.
Apesar ser citado como um fracasso nas bilheterias, o filme que pode ser achado em cópias piratas por aí, a R$ 10, não convence. Falta algo além da bela fotografia, das melhores partes. O melhor de Lula? O mais trágico? Talvez. Já Glória Pires, não! Magnânima como sempre. É em meio ao sindicato, que o personagem toma a forma do Lula real (principalmente na fala). Pau de arara, nordestino, sem estudo, sem dúvida um retrato do Brasil. Mas, que em nada remete a figura pública do presidente atual. O filme resvala mesmo para o melodrama.

É praxe que o governo se sustente antes de tudo do eleitorado. Para isso, não custar dar uma ajudinha. Certo? Constrói casa, facilita o acesso à universidade, cria Jovem Aprendiz, fabrica candidata-substitua e fomenta 1001 obras do PAC pelo país. Nas palavras de Obama, O CARA. Para a revista Forbes, em 2009, a 33° pessoa mais poderosa do mundo. Talvez por isso, ele tenha chegado aonde chegou. Agora, sem radicalismos, sem militância, o que interessa se igualar a FHC, agir como menos esquerdista. Em outras palavras, agradar a maioria. Que dizer de bolsa isso, bolsa aquilo, salário mínimo de R$ 500, doações para o Fome Zero. É o Vale Tudo de quem se apodera (e toma gosto) pelo poder.
A bem da verdade, desde 2003, o filho do Brasil se assemelha a tantos outros ditadores da América Latina que falam falam, viajam viajam. Mas, em nada afetam o dia-dia do trabalhador brasileiro (sim, independente de classe). Afinal, o governo não deu casa, nem carro e muito menos trabalho para qualquer um da classe média. Pelo contrário, se puder tirar, dificultar a compra. Para estes é apenas Fundo isso, Fundo aquilo ... Assim é fácil cantar de Hobin Hood para a massa. Melhor nem citar os aposentados. Mas, com certeza, a conta não vai para o governo. Jamais!
Nem Nixon, nem JFK ou Bush. Em ano eleitoral, de Copa do Mundo precisaríamos, tal qual os EUA, de heróis? Ou haveria um que de jornalismo investigativo em tudo isso? Nenhum dos dois, definitivamente. Sabemos que nem por alunos do extinto 2° grau, a história do Brasil é, de fato, bem quista. Então, diga aí: pra que tamanha ladainha? Alavancar as bilheterias do cinema nacional? Nem isso! Talvez tenha servido para lotear as poltronas de correlegionários e políticos em pré-estreia ocorrida na abertura do 42° Festival de Cinema de Brasília. Para Barreto, deixa quieto! É arte, entretenimento e nada mais do que isso.
Por Simone Magalhães, 23/01/2010
PDF


0 comentários:
Postar um comentário