Ligar a TV à noite e poder apreciar o apuro da obra tem sido um presente e tanto para este início de 2010. No centro: o casal Adriana Esteves (completamente adaptada ao papel) e Fábio Assunção, respectivamente, Dalva e Herivelto. Ela, uma das maiores cantoras do rádio. Ele, cantor e compositor do Trio de Ouro, e praticamente um ícone do samba. Sob direção de Dennis Carvalho, Maria Adelaide Amaral acerta em cheio na trama de 'Herivelto e Dalva - Uma canção de amor', microssérie que termina nesta sexta, dia 8, na Globo.
Um vozeirão, década de 30, a dor de cotovelo como "musa" e a intensa genialidade da música brasileira servem como pano de fundo para a guerra entrecortada entre canções e jornais (principal mídia da época). Sabemos também que surgiram assim grandes amores, amizades e novos talentos. Nada como um outro eu, certo? Quem sabe até um codinome. Dalva e Herivelto personificavam mais do que tudo suas canções. E, como lavação de roupa suja sempre rendeu cenas, jornais ampliavam suas vendas e gravadoras lucravam com canções-resposta. Só bem depois, a TV soube escancarar o lado barraqueiro e também voyer (ainda, que de identificação) do público. E não parou mais.
Um vozeirão, década de 30, a dor de cotovelo como "musa" e a intensa genialidade da música brasileira servem como pano de fundo para a guerra entrecortada entre canções e jornais (principal mídia da época). Sabemos também que surgiram assim grandes amores, amizades e novos talentos. Nada como um outro eu, certo? Quem sabe até um codinome. Dalva e Herivelto personificavam mais do que tudo suas canções. E, como lavação de roupa suja sempre rendeu cenas, jornais ampliavam suas vendas e gravadoras lucravam com canções-resposta. Só bem depois, a TV soube escancarar o lado barraqueiro e também voyer (ainda, que de identificação) do público. E não parou mais.
Mas, barraco com classe. Isso poucos sabiam e sabem dar até hoje. Mais atual do que nunca, a minissérie enche-nos os olhos com cenários deslubrantes e personagens fantásticos à exemplo de Dercy Gonçalves, Emilinha Borba e Grande Otelo. O quê dizer do palco da Rádio Nacional, do velho radinho de pilha, do gramophone? Sim, aquele jeito gostoso de ficar coladinho no rádio. Ou ainda a reconstituição para o Cassino da Urca (local onde também se apresentou Carmen Miranda)? Ai que saudade de um tempo não vivido! Sem querer glamourizar a ficção ou endeusar o passado, a torcida é para que se vejam mais histórias como esta na TV! Há espaço, há público e traz um enooorme legado cultural. É memória, é história, um verdadeiro deleite para olhos e ouvidos. Brilha brilha mais ... Brasil, boêmia, criatividade! Que venham outros. Que tal Nelson Gonçalves? O público, com certeza, agradece.
P.S: Infelizmente não pude ver a dramatização da vida de Raulzito, mas o horário da grade também ...
Por Simone Magalhães, em 07/01/2010
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